Lar Policial Mãe em Ampére pede respostas após desaparecimento do filho na Guerra da Ucrânia
PolicialRegiãoÚltimas Notícias

Mãe em Ampére pede respostas após desaparecimento do filho na Guerra da Ucrânia

A mãe do paranaense Wagner da Silva Vargas, que desapareceu durante a Guerra na Ucrânia, falou pela primeira vez sobre o caso. Maria de Lurdes Vargas deu entrevista para a Rádio Ampére.
Wagner cresceu em Santo Antônio do Sudoeste, aos 14 se mudou para Ampére com a mãe, cidade em que morou até três anos atrás. A trabalho foi para Curitiba, São Paulo e, mais recentemente, em Caxias do Sul/RS. Foi lá que decidiu se alistar como voluntário para lutar pela Ucrânia. Antes de viajar rumo à Europa passou alguns dias na casa da mãe, ela conta que ele chegou a ajudá-la a fazer alguns reparos no imóvel. No dia 3 de junho viajou até Cascavel e seguiu de avião até chegar ao destino final.
Maria de Lurdes contou que conversou com o filho para que ele desistisse do alistamento, mas afirmava ser um sonho. “Eu tinha fé que ele ia desistir, pedi para não ir.”
“Ele disse: Eu vou ir porque é um meio de ter alguma coisa a mais na vida”, conta a mãe. O objetivo era combater com as tropas ucranianas durante 6 meses e retornar ao Brasil com o dinheiro recebido como soldado para ter mais estabilidade no país natal.
Conforme amigos próximos, ele sempre demonstrou interesse por assuntos militares, mas não possuía experiência prévia em combates. A decisão de se alistar, segundo relatos, foi repentina.
Todos os dias ele mandava mensagens de bom dia para a mãe, no dia 11 de junho avisou que precisaria ficar alguns dias sem acesso ao celular, desde então não deu mais retorno para a família.
O que se sabe sobre o caso de Wagner Vargas:
1. Morador do Sudoeste do Paraná: cresceu em Santo Antônio do Sudoeste e morou em Ampére;
2. Quando estava a trabalho no Rio Grande do Sul se alistou voluntariamente para a Guerra da Ucrânia;
3. Passou os últimos dias no Brasil na casa da mãe;
4. Viajou até Cascavel e embarcou no avião rumo à Europa;
5. Mantinha contato com a família diariamente;
6. Desde o dia 15 de junho não foi mais visto pelos colegas combatentes;
7. No dia 27 de junho a família recebeu o aviso da Embaixada sobre o desaparecimento;
8. Mãe pede ajuda para ter um posicionamento sobre o desaparecimento ou trazer o corpo para o Brasil.
A família está muito aflita desde que recebeu o comunicado da Embaixada sobre o desaparecimento. A mãe pede porrespostas, um amparo.
“Manda email pra embaixada, eles não me respondem […] A gente tá sem saber o que fazer.”
Maria contou também que chegaram a entrar em contato com o recrutador, mas que não foi repassado nada de forma oficial, aliás, não tem autorização para repassar informações. Uma suposta médica que está trabalhando na Guerra da Ucrânia entrou em contato e informou que Wagner não sobreviveu aos ataques de drones durante o combate.
“E se ele tá [morto], eu quero trazer, pra ter uma paz […] Pra uma mãe é a pior coisa ter um filho e não conseguir fazer nada por ele […] Eu agradeço quem está ajudando, porque eu nem sei o que fazer, não sei nem por onde começar na verdade”.
O processo de repatriação envolve uma série de trâmites burocráticos e custos elevados. Por se tratar de um voluntário estrangeiro, a legislação ucraniana (Resolução nº 884/2016) prevê pagamento de subsídio financeiro às famílias de militares desaparecidos, capturados ou mortos em combate. Contudo, a efetivação dessa ajuda depende de intermediação diplomática e documentação específica.
Contexto do conflito:
A Guerra na Ucrânia teve início em 24 de fevereiro de 2022, após a invasão russa, sob justificativa de proteger regiões separatistas e garantir segurança territorial. Desde então, o conflito resultou em milhares de mortes, deslocamentos e um cenário humanitário crítico.
Em 2025, os combates seguem intensos, marcados por ataques com drones, ofensivas aéreas e avanços territoriais de ambos os lados. A região leste permanece sob forte pressão russa, enquanto a Ucrânia intensifica ataques em solo russo. Apesar de algumas tentativas de negociação e trocas de prisioneiros, uma resolução pacífica ainda parece distante.
Catve/Rádio Ampére
Foto: Rádio Ampére

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Programa Vida Nova vai garantir moradia para 22 famílias atingidas por enchentes no bairro Alvorada

publicidade Uma reunião realizada na tarde desta quinta-feira (23), às 14h, no...

Vendaval causa danos em Cruz Alta e levanta suspeita de microexplosão

Um vendaval de forte intensidade atingiu o município de Cruz Alta na...

Dois mandados de prisão são cumpridos no mesmo dia no Sudoeste do Paraná

publicidade Duas ações da Polícia Militar do Paraná resultaram no cumprimento de...

Armado e embriagado: homem agride companheira, ameaça matar e acaba preso no Sudoeste

publicidade Um homem foi preso na madrugada desta quinta-feira (23), por volta...